“Todos os meus movimentos são friamente calculados.” ALGORITMO, 2018

“Todos os meus movimentos são friamente calculados.” ALGORITMO, 2018

O termo algoritmo tem se popularizado entre os usuários da internet, mas poucos realmente sabem o seu significado ou como ele funciona. Tanto na matemática quanto na computação, o algoritmo é responsável por executar uma série de operações, e especialmente em sistemas operacionais, ele trabalha de modo a cumprir sua finalidade mais rapidamente, superando qualquer variável que possa alterar o objetivo.

Para que o algoritmo tenha êxito, é indispensável que ele seja alimentado continuamente através de dados (machine learning), pois a informação é um fator que faz a diferença. Os dados podem ser comparados ao “átomo” da informação: partículas minúsculas que quando combinadas transformam-se em algo maior.

No filme “Cosmópolis” (2012), baseado em livro homônimo de Don DeLillo, Eric Parker (Robert Pattinson) é um jovem milionário do mercado financeiro. A bordo de uma limusine equipada com tecnologia de ponta, cruza uma Nova York caótica em meio a manifestações populares, enquanto acompanha através das telas de computadores os números dos seus investimentos no mercado internacional. Entretanto, os algoritmos não conseguem prever a sua queda financeira. Durante o percurso até uma barbearia do outro lado da cidade, Parker acompanha uma aposta na queda da moeda chinesa, uma operação bastante arriscada. O que ele não contava era com a falha dos algoritmos na conquista dos seus objetivos, como bem argumentam Daniela Bertocchi e Elizabeth Saad Correa, 2012 “atualmente temos muito mais uma curadoria algorítmica de informação que propriamente humana” (p. 3)

Interior da limousine em Cosmópolis, 2012

Ainda de acordo com Bertocchi e Correa, 2012 “as representações de curadoria vigentes vinculam-se à ação humana e, ampliadas para qualquer contexto social, referem-se sobremaneira às atividades de seleção, organização e apresentação de algo a partir de algum critério inerente ao indivíduo curador”. (p.5) Nesse contexto, podemos observar que no filme Ela (2014), Samantha (voz de Scarlett Johansson) é um produto da inteligência artificial ligada a um sistema operacional de um computador, que trabalha com algoritmo por meio da curadoria e machine learning, aprendendo e evoluindo através de respostas, estímulos da respiração e entonações vocais de Theodore (Joaquin Phoenix), transformando-se na mulher perfeita para ele ao descobrir seus dados e informações através do que ele lhe diz e dos “rastros” deixado por ele no ciberespaço.

 

No filme Eu, Robô (2004), o protagonista Spooner (Will Smith) nutre ódio aos robôs de forma geral, por conta de um episódio onde o algoritmo mudou sua vida. Num acidente de carro com sua esposa, após caírem no rio, um robô calculou as chances de sobrevivência dos dois ocupantes do carro, e, tendo apenas tempo para resgatar uma pessoa, ele salva Spooner, deixando que sua esposa morresse.

Resgate no fundo do rio (Eu, Robô)

Recentemente o Facebook anunciou uma mudança profunda em seus algoritmos, alterando o conteúdo que circula em nossas timelines de acordo com nossas interações e de acordo com o que eles acreditam ser mais interessante para nós. O Facebook mostrará menos notícias reais, o que aproximará nossa experiência ao mundo totalitário de George Orwell em 1984 (1949). Os algoritmos de Zuckeberg agirão mais ou menos como o Ministério da Verdade orwelliano, escolhendo em quais “verdades” devemos acreditar, e caso algo se torne inconveniente, será retirado de circulação.

No mês passado foi anunciado o lançamento de um robô jornalista que vai reportar automaticamente sobre projetos de leis na câmara, se tornando o primeiro robô brasileiro a trabalhar como Natural Language Generation (NLG), como explica D’Andrea (2016):

Apesar de cada sistema ter sua especificidade, o funcionamento básico dos softwares NLG é bem parecido: produzir narrativas de fácil leitura a partir de informações e estatísticas extraídas de bancos de dados estruturados de temáticas variadas, como jogos esportivos, balancetes financeiros, desempenho de ações na bolsa, pesquisas sismológicas, previsão do tempo, crimes e homicídios. Detalhando de uma forma simplificada, as notícias escritas por robôs seguem um framework pré-determinado e produzem textos a partir da análise e processamento de dados estruturados em tabelas .CSV, .XLS ou .XML.

 

Em Junho de 2016 uma notícia que mais parecia enredo de sci-fi surpreendeu diversos leitores: o curta metragem intitulado “Sunspring” foi o primeiro filme do mundo a ser lançado após seu roteiro ter sido completamente escrito por algoritmos. Como você imagina que alguém conseguiria isso? (pode utilizar seus conhecimentos de ficção científica para responder)

Pois bem, a resposta para a pergunta feita acima é bem simples e completamente previsível: o técnico em inteligência artificial forneceu a um computador centenas de roteiros de filmes de ficção científica e em menos de 1 hora o computador já havia produzido um roteiro completo, com diálogos, escaletas e o que mais um roteiro tem direito! Um computador também foi alimentando e programado para criar uma fanfic de Arquivo-X, e o resultado pareceu realmente ter sido feito por um fã do seriado. Quais serão os próximos feitos dos algoritmos fora das telinhas? Vamos aguardar os próximos capítulos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: